Quando eu tinha 16 anos e era “hippie”, vendia artesanato sentada na avenida Rio Grande, praia do cassino e entre um nó e outro da pulseira de macramé, me perguntava frequentemente: afinal o que eu vou ser?
A resposta para esta pergunta é uma das coisas mais ambíguas que já existiu. O que eu vou ser quando crescer? Oras! Vou ser eu mesma. Ponto final e simples assim.... mas ao mesmo tempo vem outra questão: ok! Vou ser eu mesma, beleza. Mas afinal quem sou eu!?
Aos 16 quando eu “tava” lá vendendo minhas pulseirinhas a “ um reaus”, eu queria sair dali e simplesmente ter juntado o suficiente pra festa da noite sem pedir o troco pro meu pai... Aos 16 sentada ali eu via uma seqüência de fatos, pessoas, momentos, situações e tinha uma opinião formada e inclusive essa opinião vinha com a solução pra todos problemas do mundo. Eu tinha certeza que ia ser escritora, certeza absoluta! Embora passasse metade do meu tempo estudando matemática pra passar no 3º ano. Eu sabia que independente do que acontecesse eu seria uma excelente pessoa, legal com todo mundo, faria trabalhos voluntários, lutaria por igualdade, pelos direitos e blá blá...
Eu sabia!? Não, eu não sabia de nada.Naqueles mesmos 16 entrei pra faculdade de letras e vi que dali eu não sairia uma escritora, mas sim uma professora. Eu sempre tive informação à disposição pra saber que ser professora não é das profissões mais gratificantes quando se pensa nas questões financeiras , a partir daí... Foi por água baixo metade da minha força de vontade para solução dos problemas do mundo. Sim! A maldita questão financeira... que aos 17 começou a bater na minha porta e abrir meus olhos. Comecei a perceber que eu precisava de dinheiro pra tudo e que vender pulseirinha a um reaus pra curtir festa não era o suficiente. Assim os ideais da guria de 16 foram indo ralo a baixo e as aulas do curso de letras foram substituídas para estudar e fazer vestibular novamente.A minha escolha? Um curso qualquer, que me desse retorno financeiro e “talvez” uma certa satisfação pessoal...
È ai que a questão principal retorna, e a única certeza que se tem novamente é a de que tu vais ser tu mesmo, mesmo que tu já não sejas quem tu eras há um bom tempo...
Hoje eu faço administração e trabalho na área de marketing de uma instituição de ensino, ok. Nesse momento não sou a pessoa mais bem remunerada do mundo, longe disso. Também não tenho 100% de satisfação em fazer o que faço. Estou com 25, será que já cresci? Não sei. Mas sei que inúmeras coisas mudaram. Mudanças internas e externas. Mas uma coisa é certa, eu continuo sendo eu mesma. Eu mesma com outros valores, ideais, e novas perguntas invadindo meus pensamentos a cada minuto.
Um comentário:
nao sei se adianta muito ficar pensando no futuro, a gente muda de ideia muito rapido :)
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